Diagnóstico

Braga é um dos principais centros do noroeste da Península Ibérica, tendo-se afirmado, ao longo dos séculos, como polarizadora nos domínios administrativo, religioso, cultural, comercial e, em anos recentes, de inovação e conhecimento. A sua posição geostratégica é reforçada pela proximidade a portos e aeroportos, pela rede de autoestradas e também pela afirmação de Braga em redes territoriais: o Eixo Atlântico, transfronteiriço; a CIM do Cávado, com papel crescente nas políticas de desenvolvimento regional; e a rede urbana para a competitividade e a inovação do Quadrilátero, que associa os quatro centros urbanos principais do Cávado-Ave, uma região fortemente exportadora, industrializada, com um setor agropecuário muito relevante e na vanguarda de alguns setores de investigação científica e tecnológica (têxtil e vestuário, polímeros, nanotecnologias, novos materiais, etc.). 

 

 

No tecido urbano de Braga pode reconhecer-se a sua história e a sua centralidade: património edificado e arquitetónico antigo, mas presente na vida quotidiana; edifícios comerciais ou industriais, muitos deles desativados, que marcam a paisagem urbana; zonas residenciais correspondentes ao crescimento administrativo e comercial, que se foram densificando e ocupando o anel em torno do centro histórico (em alguns casos na forma de bairros sociais), expandindo-se depois; centros comerciais, de várias gerações, localizados de cada vez mais afastados do centro; e equipamentos regionais ou mesmo internacionais (UM, INL).

Recorrendo à informação estatística do Censo de 2011, como a mais recente ao nível da desagregação da unidade geográfica que permita uma aproximação muito ajustada aos limites propostos das ARU da cidade de Braga (a subsecção estatística), constata-se que o território “coberto” pelas áreas de reabilitação urbana da cidade abarca quase metade da população residente no concelho (45,2%) e 60% do total dos residentes na cidade (de salientar que se utilizou neste caso o conceito de cidade estatística, correspondendo a um perímetro urbano alargado). A ARU de Braga Sul é a que assume maior peso, com 35%.

Estes 82.030 residentes nas quatro ARU da cidade de Braga (excluindo a ARU do Parque Industrial e Empresarial de Celeirós) distribuem-se por 31.199 famílias, correspondendo a uma dimensão média das famílias de 2,6 indivíduos, ligeiramente inferior à média concelhia e da cidade (2,8 e 2,7 respetivamente).

Atentando aos indicadores importa ainda destacar alguns números:

  • o território em análise engloba 9.829 edifícios, representando 25% do total dos edifícios em presença no concelho e 46% na cidade. Confrontando estas proporções com as da população residente, conclui-se que estamos perante uma zona urbana mais densa, onde o número de edifícios plurifamiliares é mais significativo;
  • de facto, e apesar do número de edifícios com 5 ou mais pisos representar somente 23,3% do total de edifícios em presença, eles representam 86,8% do total dos edifícios com 5 ou mais pisos existentes na cidade;
  • é também nesta área que o número de alojamentos vagos se revela mais significativo, ascendendo a quase 6.500 alojamentos vagos o que corresponde a 15% do total dos alojamentos existentes nas quatro ARU da cidade. Apesar de próximo, este valor não é tão representativo na cidade (13,6%) e no concelho (12,6%);
  • no que respeita à dinâmica do mercado de arrendamento, é novamente esta área que assume maior protagonismo, com quase 30% dos alojamentos familiares de residência habitual em situação de arrendamento, proporção maior do a que se regista na cidade e no concelho (25,9% e 23,4% respetivamente).

Mais de metade dos edifícios existentes no território correspondente às quatro ARU da cidade foram construídos há mais de 35 anos (54%), evidenciando um parque edificado envelhecido e, por esse facto, com as consequentes necessidades de manutenção ou reabilitação.

Informação de extrema importância e que ajuda a fundamentar a opção pela utilização deste instrumento de planeamento – as ARU – é a que diz respeito ao estado de conservação do parque edificado e às suas necessidades de intervenção. Recorrendo uma vez mais à informação do último Censo à escala da subseção (ver tabela seguinte) constata-se que quase 40% dos edifícios em presença na área das quatro ARU apresenta algum tipo de necessidade de intervenção de manutenção ou reabilitação (3.728 edifícios), percentagem que desce para os 27% no total do concelho de Braga.

De referir ainda que 11,8% destes edifícios necessita de obras de reabilitação médias ou profundas (num total de 1.155 edifícios), o que representa um potencial de reabilitação muito significativo.